Red Hot Chili Peppers

A muito contra gosto, durante esta semana, tive que ceder à usura e alarvice dos lobbys´s das editoras discográficas e da avidez estatal em tornar abusivamente e para além do razoável rentável qualquer produção/realização criativa (e não só) do ser humano.

O que quero dizer é que saíram três álbuns de bandas que, pessoalmente, me dizem muito, sendo uma delas uma banda que acompanhou desde cedo, de um modo homogéneo, os elementos do SpeakLeash Team. Por isso, tive que largar os cordões à bolsa e pagar os ridículos preços que actualmente se praticam para estes suportes multi-média em vias de extinção.

Falo dos mais recentes trabalhos de
Tool, Moonspell e, por fim, Red Hot Chili Peppers. Pela razão supra referida apenas vou falar desta última banda.

Trata-se, portanto, de uma banda cujos trabalhos sempre acompanharam, e ainda acompanham, o SpeakLeash.

O “núcleo duro” do trabalho dos R.H.C.P. que inspirava o SpeakLeash é constituído pelos seus primeiros trabalhos até ao “
Blood Sugar Sex Magic", inclusive, sendo este um álbum que marcou uma viragem do estilo musical da banda (na altura apelidado de “Funk/Punk”) para outras influências que caracterizam o estilo de música que hoje fazem.


Posso dizer que os trabalhos que mais caracterizaram o "esírito original" que marcou desde cedo os R.H.C.P. é o álbum “The Uplift Mofo Party Plan

e, principalmente (sendo este o seu expoente máximo nesta fase da banda), o “Mother’s Milk”.

Não querendo ser fundamentalista, no sentido em que as bandas não devem mudar - pois, como na vida das pessoas que as integram, a vida da banda também evolui e sofre várias influências - não devemos exigir que elas sejam um clone de si mesmas e, sacrificando a originalidade, copiem a formula dos seus trabalhos iniciais que as tornaram famosas.

Em suma, nestas coisas, temos que seguir sempre a opinião do nosso melhor critico, ou seja, nós mesmos – se gostamos, muito bem, se não, não ouvimos (nestas matérias apenas servimos a nós mesmos, não nos devemos preocupar se as bandas deixaram de ser originais, ou passaram a ser comercias, ou já não são aquilo que eram, etc, etc).

Isto tudo para dizer que, o novo álbum “
Stadium Arcadium” (cd-duplo, com um total de 28 músicas), põe-me bem disposto e gosto de ouvir, sendo um trabalho que, seguindo uma certa linha de evolução e tendo em conta as suas origens, não degenera e tem lá tudo o que constitui os R.H.C.P..


Ouçam e apreciem (sem preconceitos).


5 comments:

fredartes said...

Muito bom texto. De fazer inveja ao Blitz de outros tempos e coisas afins. Bem "RED HOT" ainda se come, agora o resto das coisadas metaleiras que tu ouvias é que não. Poupa-nos please!!! Mas mesmo assim, se não for pedir muito, vê lá se arranjas um mp3zinho para a malta desse revival "bermelho caliente". :)

Nani said...

Grande post... Excelente trabalho!
No entanto, a minha opinião, acerca dos pontos de viragem das bandas, é bem conhecida de todos.
Creio que bandas como Metallica, Red Hot Chilli Peppers, Faith No More entre tantas outras têm um ponto alto nas carreiras com álbuns de excelente qualidade (Black Album, Blood Sugar Sex Magic, Angel Dust) que marcam um ponto de viragem nas carreiras.
Creio que essa viragem deve-se (falo sem conhecimento de causa) a pressões de editoras.
Não acredito que seja obra do acaso que todas elas tenham optado por outros rumos após os seus álbuns de referência.
Não me oponho ás mudanças de mentalidades e sons, mas custa-me a aceitar que mudança sonora dessas bandas (deambulando por alguns fracassos) após os ditos álbuns, seja obra do acaso.
Talvez seja assim, ou talvez seja de outra maneira, citando um determinado filme:
"O mundo não mudou... tu é que mudaste..."

HEM said...

Pois é, Fredarts, posso-te dizer que as coisadas metaleiras ainda fazem parte do que ouço, mas, a par delas, ouço, igualmente, outros estilos completamente diferentes, que podem ir da música clássica ao mais pop brega (tem mesmo é que me agradar o som).
Quanto ao pedido do "bermelho caliente" (o termo é giro), "...é que é já a seguir" ;P.

Nani, podes ter razão no que dizes (e eu não te a tiro), mas isso pode até acontecer numa determinada fase da vida de uma banda famosa. Mas, por outro lado, acredito que bandas como essas que citaste, a dada altura, podem fazer o que quiserem e lhes der na gana, pois já não têm nada a provar e não têm que se preocupar em "pagar as suas contas no final do mês".
Por outro lado, como ouvi em entrevista o vocalista de Moonspell, esta semana, ele diz que hoje em dia as bandas já não têm muitas razões de queixa e podem preservar a sua independência criativa independentemente de pressões externas, pois já estão muito bem informadas dos meandros das editoras e afins (pessoalmente, acredito nisto, e só se deixa influenciar quem quer).

Nani said...

As bandas depois de famosas, podem até ter dinheiro, e dinheiro é poder, no entanto, temos de ver que a máfia das editoras têm imensamente mais poder.
Poder até para imporem playlists ás rádios e tvs... e banir uma ou outra banda que não participe do esquema.
Custa muito a acreditar nisto?

HEM said...

Não se trata, como é óbvio, de custar a acreditar. Esse raciocínio é lógico e coerente, mas daí a retirar-se que se tem que acreditar… isso seria a mesma coisa em acreditar em toda e qualquer teoria da conspiração.

Sinceramente eu não perfilho da ideia fatalista em que quando uma qualquer banda fica famosa tem que morrer logo aí, porque aí “esquema das editoras” começa a funcionar. Acho que não tem que ser necessariamente assim.
Mas mesmo que o fosse, tal não pode ser impeditivo de tu gostares do trabalho da banda (…ou editora).